A leitura é sempre apropriação, invenção, produção de significados. Segundo a bela imagem de Michel de Certeau, o leitor é um caçador que percorre terras alheias.
Apreendido pela
leitura, o texto não tem de modo algum - ou ao menos totalmente - o sentido que
lhe atribui seu autor, seu editor, seus comentadores. toda história da leitura
supõe, em seu princípio, esta liberdade do leitor que desloca e subverte aquilo
que o livro lhe pretende impor.
Mas esta liberdade
leitora não é jamais absoluta. Ela é cercada por limitações derivadas das
capacidades, convenções e hábitos que caracterizam, em suas diferenças, as
práticas de leitura. Os gestos mudam segundo os tempos e lugares, os objetos
lidos e as razões de ler. Novas atitudes são inventadas, outras se extinguem.
Do rolo antigo ao códex medieval, do livro impresso ao texto eletrônico, várias
rupturas maiores dividem a longa história das maneiras de ler. Elas colocam em
jogo a relação entre o corpo e o livro, os possíveis usos da escrita e as
categorias intelectuais que asseguram sua compreensão. (Chartier, Roger. A
aventura do livro - do leitor ao navegador, São Paulo, UNESP, 1998, p. 77)
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